• Gonçalo Dias Martins

“Impossível” ao vivo, de Luís de Matos – um espetáculo que impressionaria os mais céticos



Após o êxito do programa televisivo, em 2017, e da primeira edição ao vivo, em 2018, Luís de Matos trouxe de novo o espetáculo “Impossível” aos palcos nacionais, com um novo elenco e com novos números, que representam, em conjunto, alguma da melhor magia possível de assistir pelo mundo. À semelhança do que aconteceu na primeira edição, Luís de Matos privilegiou-nos com um grupo de mágicos de elite internacional que, individualmente ou em conjunto, tentariam surpreender os portugueses com os seus truques.


James More


Vindo de terras de nossa majestade, o britânico deu nas vistas através de diversos programas de televisão, em particular no Britain’s Got Talent, onde chegou às meias-finais, em 2013. Pertence ao famoso “The Magic Circle”, uma organização centenária que desenvolve e promove a arte da magia, cuja entrada depende de provas ou exames que qualifiquem o mágico como um membro digno do círculo. Atualmente é dos mágicos mais virais na internet e carateriza-se pelos seus números de ilusionismo de alto risco.




Topas


Nascido em Estugarda, o alemão é a fusão perfeita entre a magia e a comédia. Em 1991, já tinha ganho o primeiro prémio da categoria de manipulação da Federação Internacional de Sociedades Mágicas, mais conhecida por FISM. Com uma forte ligação à música, Topas é um “one man show”. Os seus números fazem rir, cantar, e ficar boquiaberto com as suas ilusões.




Raymond Crowe


O australiano é um entertainer completo. Que o diga a própria rainha de Inglaterra, que presenciou um ato de Raymond Crowe na UK's Royal Variety Performance, em 2007. Finalista do Australia’s Got Talent, é conhecido popularmente pelo seu número de sombras ao som de “What a Wonderful World”, de Louis Armstrong. Mímica, ventriloquismo e muito humor são alguns dos elementos da magia de Raymond Crowe.




An Ha Lim


O mestre da manipulação com cartas. O mágico da Coreia do Sul é mundialmente reconhecido pelo seu truque no qual utiliza centenas de cartas que parecem “nascer” das suas mãos. Foi vencedor do prémio FISM Asia, em 2017, e de vários prémios internacionais, na categoria de manipulação. O mágico demorou décadas a aperfeiçoar a sua especialidade, e o seu número é considerado um dos melhores do mundo do seu género.



A juntar ao nosso já conhecido Luís de Matos, este quadro de artistas prometia um espetáculo irreverente que espantasse os portugueses.

Na era moderna, a magia tem uma dificuldade inerente em surpreender verdadeiramente a audiência. O desenvolvimento dos media permitiu ao público facilmente encontrar, sobretudo através da Internet, a solução de vários truques de magia mundialmente conhecidos, desconstruindo os atos dos mágicos, e retirando, através do ceticismo, grande parte do brilhantismo da magia. O mistério que era tradicionalmente a essência de um truque de magia, hoje facilmente é desvendado por uma simples pesquisa no Google. Porém, este fenómeno não fragilizou a magia, mas aumentou o seu rigor e o seu grau de exigência. Hoje, o trabalho dos mágicos é redobrado, pois não basta o truque para surpreender o espectador, mas toda a interação, todo o detalhe inesperado, todo o pormenor sensorial capaz de mexer com as emoções do público.


Sempre apreciei magia, mas, até este espetáculo, nunca tinha assistido ao vivo a um evento com tanto reconhecimento e tanta visibilidade. Confesso que as minhas expectativas iam reduzidas pelos motivos que já apresentei acima. Apesar de ver vários programas de magia na televisão e nas plataformas digitais, tenho sempre a consciência de que um corte na edição ou um frame alterado é o suficiente para ser ludibriado e o truque não passar de uma manobra tecnológica, o que me retira o entusiamo quando estou em casa. Ao vivo, o meu principal desafio seria desvendar se presencialmente seriam percetíveis os truques e as suas soluções, sem o auxílio dos meios tecnológicos. Outro motivo que baixou as minhas expectativas foi ser fã da saga de filmes “Mestres da Ilusão”, duas obras cinematográficas de ficção, cuja trama gira à volta de um grupo de mágicos que desenvolve atos de magia ao vivo com capricho. Na minha perspetiva, não iria ver atuações semelhantes às dos filmes, o que me parecia lógico visto que um filme é um filme, e a sua realização pouco ou nada poderia ter de magia, através de computorização e outras ferramentas próprias da cinematografia.


Mas estava enganado. Sentado num camarote do Teatro Tivoli, assisti a um espetáculo que superou todas as minhas expectativas. Tirando um ou outro detalhe, passei uma hora e meia surpreendido com o que estava a acontecer à frente dos meus olhos. O espetáculo começou com uma aparição em grande de um dos patrocinadores oficiais, a Seat, na medida em que num momento o palco está vazio, no outro, está um automóvel da marca diante o público.


Os mágicos foram intercalando os seus números, com os seus mais distintos registos, mas todos tinham em comum a forte interação com o público. A plateia riu à gargalhada em vários momentos, sobretudo nos números de Topas e Raymond Crowe, em que o humor foi o ponto central dos seus atos. An Ha Lim apresentou o seu número característico envolvente através da música e da sua coreografia. James More protagonizou os momentos de suspense do espetáculo em que deixou o público a temer pela sua vida várias vezes. Luís de Matos foi o fio condutor de todo o enredo mágico com os seus números, alguns já conhecidos, mas que continuam a surpreender. O público foi um elemento ativo. Muitas vezes foram chamados voluntários ao palco, ou a participar nos números através da plateia, e foi inclusive realizado pelo anfitrião um truque em conjunto com os mil espectadores que estavam na sala.


A equipa responsável pelo espetáculo (Fonte: Instagram Luís de Matos)

Do lugar onde estava conseguia ver absolutamente tudo o que estava no palco, e foi o que me deixou mais estupefacto, a capacidade de ver tudo, mas nunca algo que desvendasse a magia que estava a ocorrer em palco. Vi números ao nível do que vi na televisão e nos filmes, mas desta vez com a certeza de que tudo o que me estava a manipular e a enganar provinha do talento dos indivíduos que estavam à minha frente no palco, e não de meios tecnológicos.

Foi uma noite bem passada, na qual tive a oportunidade de ver, na minha cidade e no meu país, um pedaço do melhor do que se faz no mundo inteiro, no universo da magia.



Artigo revisto por Mariana Plácido

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