• Gonçalo Dias Martins

Heddon Street Kitchen: o inferno na cozinha é afinal um paraíso (Especial Londres)


Fonte: Instagram HSK

Gordon Ramsay é um mediático chef de cozinha, mundialmente conhecido pelos programas televisivos que protagonizou e pelos seus restaurantes conceituados, espalhados pelos Estados Unidos da América e pelo Reino Unido.

Durante a minha visita a Londres, tive a oportunidade de experienciar um destes restaurantes, localizado no coração de West End: o Heddon Street Kitchen.



Localizado no food quarter da Regent Street, uma das maiores ruas comerciais de Londres, o Heddon Street Kitchen nasceu com o intuito de servir de paragem gastronómica para todos aqueles que visitam a rua.

A Regent Street é um marco prestigiado nos ramos da moda e do lifestyle, na medida em que recebe várias marcas internacionais, que lhe atribuem um estatuto comercial e social elevados, tornando-a, por isso, atrativa, tanto para os londrinos, como para os turistas. O Heddon St. Kitchen viu aqui, de forma estratégica, um nicho de mercado que serviria o seu conceito e ambiente de elite.


O restaurante criou, assim, dinâmicas que permitem servir os clientes, a qualquer hora do dia. Tem um menu de pequeno-almoço, um serviço de brunch (um conceito muito apreciado atualmente), almoço, conceitos criados, fundamentalmente, para servir de paragem para quem foi às compras, ou para quem trabalha nas proximidades, jantar, e um serviço de cocktails, ligado ao final do dia. Neste sentido, os visitantes da Regent Street podem enquadrar o Heddon Street Kitchen no seu horário, a qualquer momento.


Se tenciona visitar o Heddon St. Kitchen, sugiro que planeie a sua reserva de mesa com alguns dias de antecedência, sobretudo se quiser ter uma refeição ao fim-de-semana. A reserva pode ser efetuada no site oficial do restaurante, onde pode escolher, inclusive, o menu que pretende. O restaurante tem um menu fixo e menus rotativos, com conceitos criados consoante as épocas do ano ou festividades eminentes. Se pretende escolher no momento a sua refeição da carta fixa, deve selecionar a modalidade à la carte. A confirmação final da reserva é realizada por e-mail, na véspera, pelo restaurante.


Para chegar ao restaurante, a minha sugestão é utilizar a famosa rede de metropolitano de Londres e, através da linha azul-escura (Piccadilly) ou da linha castanha (Bakerloo), sair na paragem de Piccadilly Circus e andar um pouco a pé. O custo da viagem singular é de 4.90 libras, sendo que com o cartão Oyster fica a 2.40 libras. Se for visitar a cidade, é realmente aconselhável adquirir e carregar o seu Oyster Card com o valor que melhor se adequar aos moldes da sua estadia e, assim, esta viagem será contabilizada como uma viagem comum na Zona 1 do metropolitano. Apesar do restaurante aceitar atrasos de até 20 minutos, é aconselhável chegar uns minutos antes da hora da reserva. Graças à qualidade da rede de metropolitano de Londres, não demorará muito tempo a chegar ao destino, vindo de qualquer ponto da cidade.


A minha reserva foi para duas pessoas, para uma sexta-feira, às 21 horas, respeitando a modalidade à la carte. Quando chegámos, fomos bem recebidos por duas empregadas. Prontamente, uma recolheu os nossos casacos e malas, enquanto a outra confirmava os detalhes da nossa reserva. De seguida, um empregado acompanhou-nos à nossa mesa e o próprio serviu-nos, durante toda a refeição. De imediato, serviu-nos água e distribuiu-nos a ementa.


O ambiente do restaurante era sereno e requintado. A decoração era simples, a música animadora, mas o que se destacava era a cozinha aberta. Da nossa mesa, podíamos observar toda a exigência e alvoroço da cozinha, desde a preparação dos pratos à sua apresentação, à semelhança do que acontecia no programa de televisão Hell's Kitchen. Mas, claro, sem a loucura de Gordon Ramsay, que o tornou tão célebre.


Até ao momento da decisão do prato, estive dividido entre o fish and chips e o hambúrguer de carne maturada, dos quais já tinha ouvido boas recomendações. Acabámos então por pedir o hambúrguer de carne maturada com Monterey Jack cheese e ketchup de bacon fumado, acompanhado de batata triple cooked; e tortelloni de ricota, cogumelos e trufas, com emulsão de queijo parmesão e chilli.


Inicialmente, pode pensar que ir a um restaurante de um chef tão conceituado comer um hambúrguer é um pouco rudimentar, mas o facto é que foi deveras o mais saboroso que já comi. Alto, suculento e o molho absolutamente divinal.

Quanto aos tortelloni, os ingredientes encaixavam na perfeição e o prato estava confecionado de forma a que não se tornasse enjoativo até ao final da refeição, ao contrário do que acontece muitas das vezes, quando existe uma mistura de sabores tão exóticos.


Para beber, decidimos aventurar-nos nos cocktails de autor. Pedimos um "Lady Regent" à base de gin, rinquiquin de pêssego, flor de sabugueiro, limão e menta fresca; e um "Love Potion Nº9", composto por vinho do Porto rosé, menta, framboesas, limão, açúcar e champanhe. Ambos estavam doces, com a acidez necessária, e foram suficientes para toda a refeição. A apresentação coincidia com a qualidade do sabor.


Ao nosso lado, um casal deleitava-se com um dos pratos mais recomendados do restaurante, o famoso Bife Wellington, que se tornou mediático pelo seu papel no Hell's Kitchen. A apresentação do Bife era exatamente igual à que me recordava do programa, e foi, de longe, o pedido mais solicitado à cozinha durante a noite, o que prevê uma certeza de qualidade. É, consequentemente, o prato mais caro da carta (47.50 libras por pessoa), o que não parece impedir que seja a jóia da coroa do HSK.


Beef Wellington (Fonte: Instagram HSK)

Muito satisfeitos com o prato principal, decidimos experimentar uma sobremesa. Optámos por um fondant de chocolate com gelado de caramelo salgado. Magnífico. O contraste do doce com o salgado era magistral, as texturas, o aroma... deixou-nos verdadeiramente sem palavras.



O preço da refeição pode sofrer uma grande disparidade, consoante o prato, o pedido de entradas ou sobremesas, a bebida... Assim, é possível comer no Heddon Street Kitchen por um valor que rondará as 25 libras por pessoa, ou que este valor escale para a centena de libras por pessoa. Depende daquilo que cada um optar para a sua refeição.


Posso afirmar que o Heddon Street Kitchen foi das melhores experiências gastronómicas que já tive e um dos pontos mais altos da minha estadia em Londres. Superou as expectativas, o que se adivinhava difícil, dado que o seu nome já leva a um nível de exigência elevado, por parte do consumidor. Podíamos recear que a fama dos restaurantes de Gordon Ramsay se prendesse com o mediatismo do chef, mas a verdade é que a qualidade não é uma invenção televisiva, o que o coloca no topo da culinária. Afinal, o inferno na cozinha é, de facto, um paraíso gastronómico.


4.7/5 ★


site oficial: https://www.gordonramsayrestaurants.com/heddon-street-kitchen




Artigo revisto por Margarida Braga Costa


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