• Gonçalo Dias Martins

FIFA 21: um remate à baliza aberta da concorrência



Todos os anos, sem exceção, a grande pergunta que paira sobre a cabeça dos amantes de simuladores de futebol é a de se, de alguma forma, o FIFA terá competição à altura, sendo que o único rival que, época após época, tenta inverter o domínio do jogo da EA Sports é o simulador da Konami, Pro Evolution Soccer.


Porém, num momento em que o fim da era atual de consolas se avizinha, e num ano atípico por todo o contexto pandémico, a Konami decidiu não lançar o esperado PES 2021, para que pudesse colocar todos os recursos no desenvolvimento do seu próximo simulador para a era de consolas vindoura. Neste sentido, a empresa japonesa anunciou apenas um season update, que funciona como uma atualização do modelo Pro Evolution Soccer 2020, com todas as novidades da época futebolística 2020/2021.

Apesar de parecer uma boa ideia do ponto de vista logístico, a verdade é que permite à EA Sports deter o monopólio de simuladores de futebol novos para esta época, o que deixaria dúvidas acerca de se o FIFA 21 corresponderia às expectativas, ou se a ausência de competição faria os seus criadores perder o brio.


As grande novidades na jogabilidade desta edição do FIFA prendem-se com a possibilidade de controlar, de uma forma mais completa, as dinâmicas defensivas e ofensivas da equipa. Novas mecânicas foram adicionadas para que, manualmente, o jogador consiga direcionar as movimentações dos jogadores sem bola no ataque; na defesa, a chamada de um segundo marcador é, obrigatoriamente, decisão do próprio; fora pequenas alterações que causam uma diferença substancial no modo de defender.


Para equilibrar, a dificuldade dos confrontos corpo a corpo aumentou, o que atribui à defesa no FIFA 21 um cariz mais tático e menos técnico, onde o posicionamento dos jogadores acaba por ser mais importante que a sua capacidade de corte ou força nos duelos. Isto transfere para o jogador uma maior exigência e uma melhor visão dos processos defensivos, o que dificulta a tarefa de manter a sua baliza inviolável até se adaptar.


Foi adicionado também um novo modo de controlo de bola, o agile dribbling, que, como o nome indica, permite ao jogador com bola mudar de direção, de forma rápida, podendo, assim, driblar os oponentes. Esta adição veio alterar os comandos de algumas fintas apreciadas no FIFA 20, como a drag back, que, assim, requerem ao jogador uma adaptação na utilização do seu leque de skills.


Combatendo as críticas dos fãs relativas ao jogo transato, a EA Sports corrigiu as bolas aéreas ofensivas, visto que era um método de ataque que pouco lugar tinha na meta, o que tirava realismo ao jogo. Porém, este aperfeiçoamento poderá ter sido exagerado, na medida em que o grau de eficácia dos cruzamentos está muito elevado, possibilitando aos avançados várias finalizações indefensáveis, com relativa facilidade.


A meu ver, a grande diversão do FIFA 21 estará na sua jóia da coroa, o Ultimate Team. Indiscutivelmente o maior fruto de rendimento da EA Sports, através das microtransações, o UT sofreu várias mudanças para melhorar a experiência do jogador. Nenhum jogador gostava de, exaustivamente, ter de tomar atenção à condição física da sua equipa e, pontualmente, por esquecimento ou por lapso, ver os seus jogadores entrarem já cansados para um jogo importante. Pois bem, a condição física foi retirada. Muitos dirão que diminui o realismo do modo de jogo, mas sejamos coerentes: o Ultimate Team tem muito pouco de real, e aquilo que nos diverte não passa tanto pela gestão do plantel, como acontece no Modo Carreira.


Mas a grande adição ao Ultimate Team foi, sem dúvida, o modo COOP, que permite a um jogador partilhar a sua equipa com um amigo, podendo jogar juntos nos modos Squad Battles, Rivals e Amigáveis, beneficiando com moedas e a soma de pontos para ambos. Abre uma porta para a cooperação, e todos sabemos que jogar online torna-se sempre mais divertido quando a experiência é partilhada com amigos.


Para os fãs de VOLTA, o FIFA 21 traz novas peripécias, novos modos de jogo e, para os amantes de futsal ou de futebol de rua, será, certamente, um separador do FIFA 21 prazeroso de explorar.


Por fim, mas não menos importante, o Modo Carreira foi revolucionado, e a experiência de treinador tornou-se, opcionalmente, mais real. No FIFA 21, será possível o jogador apenas treinar a sua equipa sem a controlar em jogo, assistindo às partidas num registo semelhante ao que acontece no clássico Football Manager. O jogador pode, assim, depositar todas as suas preocupações no alinhamento tático da equipa, na gestão do plantel, da organização do treino, nas transferências, sem ter qualquer papel no controlo manual dos seus jogadores. Acaba por ser um sistema interessante, que oferece uma alternativa menos pormenorizada ao Football Manager.


Confesso que, num momento inicial, não aconselharia a aquisição do FIFA 21, pois a jogabilidade parecia transportar as incorreções da edição transata, juntas com novas mecânicas confusas e de difícil adaptação. Após alguns dias de jogo, o aperfeiçoamento individual destas novas mecânicas e uma exploração mais ampla dos modos de jogo permitiu-me alterar a minha opinião sobre o jogo, e, muito graças ao modo cooperativo do Ultimate Team, encontrar diversão com o comando nas mãos.


Neste sentido, o FIFA 21 desmarca-se, mais uma vez, da concorrência e será, por uma nova época, o principal simulador de futebol do mundo. Desta feita, de uma forma merecida, pois as mudanças que a EA Sports promoveu, face ao FIFA 20, revelam-se um êxito, e, mesmo com todos os defeitos habituais na jogabilidade, o FIFA 21 mostra um nível superior que será, certamente, do agrado dos fãs.


Crítica: 4/5



Artigo corrigido por Mariana Coelho

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